Estamos em época de eleições, mas você nem diria de tão quieta que anda a cidade, exceto por uns panfletos aqui e ali. A começar, não é obrigatório votar. Eu , como boa cidadã, me registrei para votar. Por sinal, quase perdi o último dia para registrar – eles permitem que você registre pelo correio ou online até um mês antes das eleições; depois disso você tem que ir registrar pessoalmente, o que não seria tão mal se o lugar de registro não ficasse lá no fim do mundo (Tukwila) e só funcionasse no horário mais incômodo para pessoas trabalhadoras como eu (8:30 a.m. – 4:30 p.m.).
Pronto, registro feito. Onde votar agora? Fácil, em casa. Há uma semana atrás Eduardo e eu recebemos nossa cédula de votação pelo correio. Isso mesmo, você preenche sua cédula, coloca no envelope que eles te mandam, e envia de volta pelo correio. Eu mesmo acabei de votar e me senti como uma estudante colando na prova. No Brasil votar é tão “big deal” – TEM que ser secreto, você TEM que comparecer para votar, se você NÃO votar NÃO pode tirar passaporte – que me senti um tanto desconcertada com a facilidade de votar por aqui. Digamos, por exemplo, que você se enganou e votou para a pessoa errada. E agora, o que fazer? Fácil. De acordo com as instruções, é só riscar o nome da pessoa “erroneamente” votada e escolher outra pessoa. Bem, aqui eles consideram isso um “momento de relapso”, mas de onde eu venho isso se chama voto nulo. E se você perdeu sua cédula? Facílimo, é só ligar para eles e pedir outra. Alguém aí pensou em fraude? Eles também pensaram, daí que você tem que assinar uma declaração e enviar com sua cédula afirmando que você é cidadão, que é mentalmente competente, que você não está votando duas vezes, que você não está votando por outra pessoa, blah blah blah. Pronto, problema resolvido. Não sei como eles não implementam esse sistema de voto pelo correio com declaração no Brasil.
Eu já falei dos write-ins? Quando vi minha cédula, algumas posições tinha duas opções: Fulano de Tal ou opção em branco, com denominação de write-in. De acordo com o Wikipedia, write-in é um candidato numa eleição cujo nome não aparece na cédula (por não ter se registrado etc) mas pelo qual você pode votar escrevendo o nome. Também é uma ótima oportunidade para votar no Mickey Mouse para xerife do King County.
Eu já falei no que temos que votar? Algumas opções são mais polêmicas e fáceis de votar, como prefeito de Seattle, aprovar Referendum 71 (que garante a casais homossexuais os mesmos direitos de casais heterossexuais casados no papel), reprovar Iniciativa 1033 (mais uma péssima idéia do péssimo Tim Eyman de limitar o crescimento do estado/county/cidade ao crescimento populacional/inflacionário, justamente num ano de péssima economia, para assim você morar numa péssima cidade sem perspectiva de crescimento). Mas tem outras, como por exemplo, nas três posições abertas dos “Commissioners” do Port of Seattle, que você nem tem idéia do que faz. Ou melhor ainda, se você aprova ou rejeita o “Charter Amendment No. 2″, no qual ele te pergunta se o “King County Charter Section 475, relating to preparation of work programs and requested allotments and to appropriation transfers, [shall] be repealed”? Eu sei lá! Sim? Não? Tanto faz?
A nossa sorte é que o Stranger (um jornalzinho grátis da região) publica um “cheat sheet” com indicações para quem votar e os motivos pelos quais você deve votar naquelas pessoas. Aliás, quase todo jornal por aqui tem suas “indicações”, bem diferente do Brasil, onde os meios de comunicação são totalmente e completamente imparciais. Com tanta facilidade para votar – no comforto do seu lar, com “cheat sheet” do Stranger e tudo mais – eu só não sei porque é que as pessoas não votam com mais frequência por aqui. Vai entender.

Antes de comprar minha casa de 1902 com basement, eu adorava chuva. E quanto mais forte melhor. Achava lindo ficar dentro de casa, no quentinho e gostoso, olhando a chuva cair lá fora. Acontece que basement, ainda mais em casa antiga, tem muito problema de infiltração. Daí que acordamos no sábado pensando que talvez devessemos checar o basement, ainda mais depois da chuvarada de sexta à noite. Pois bem, parte do basement estava alagado. Ok, alagado não é a palavra correta porque dá a entender que estava tudo boiando no basement. A verdade foi menos dramática: o carpete estava encharcado perto da porta do escritório.
Quando resolvemos construir no basement, fizemos um serviço para evitar infiltração de água pela parede. O serviço consistiu em cavar uma vala no chão do basement, rente à parede. Se houvesse infiltração pela parede, a água cairia nessa vala e iria para uma bomba, que jogaria a água para fora da casa. O processo também envolveu colocar um “vapor barrier” nas paredes, para que o drywall não ficasse molhado caso haja infiltração. Porém, contudo e todavia, não fizemos o serviço na parede onde instalamos as portas que dão para o fundo da casa, já que aquela parte era nivelado com o fundo, e não abaixo da terra. Acontece que o povo que fez o concreto no fundo nivelou o concreto rente às portas, quando o correto seria que o concreto ficasse abaixo do nível da portas. Suspeitamos que a água tenha entrado por uma fresta da porta do escritório, mas ainda não identificamos o problema exato. Fizemos uns paliativos, secamos o carpete com ventiladores, e estamos esperando a próxima chuva para observar o fenômeno com mais cuidado.
Há umas três ou quatro semanas atrás, percebemos que o teto da sala de jantar estava molhado, bem abaixo do nosso banheiro. Chamamos o contractor que fez a reforma para dar uma olhada, já que, afinal de contas, o banheiro tinha sido construído por ele. Depois de abrir um buraco no teto para observar o problema, ele não achou nenhum cano vazando. Daí a conclusão dele foi que aquele aconteceu porque o povo que fez o hardwood, quando estava andando lá em cima, fez isso e aquilo que causou aquele vazamento seis meses depois. Isso me fez lembrar o quanto eu não sinto falta de lidar com contractors: a implicância, a chateação, o tudo. Dali a duas semanas, as tomadas do nosso quarto pararam de funcionar. Antes de chamar o contractor de novo, porque afinal de contas a fiação do nosso quarto foi toda trocada na reforma, resolvemos tentar achar o problema, até porque eu não queria ouvir que a culpa era do povo do hardwood. Abrimos todas as tomadas e depois que descobrimos que o problema não seria tão fácil de consertar (não levou muito tempo para chegarmos a tal conclusão), desistimos de resolver o problema e ligamos para os nossos contractors. Dessa vez o problema foi resolvido sem muito drama.
E sabe o que eu percebi dessas complicações todas? Que tudo que deu problema, absolutamente tudo (nosso banheiro, tomada do quarto, porta do escritório), foram das coisas novas que foram reformadas, e não das coisas antigas. O que prova que não se fazem mais casa como antigamente ;-(
Se no julgamento anterior eu me vi cercada de engenheiros de tráfego compentindo por meio inch de diferença nos cálculos, nesse julgamento (sim, já estou no segundo) estou aprendendo tudo sobre fábricas de gelo, ou “ice plants”. E antes que comecem as piadinhas do tipo “onde já se viu fábrica de gelo em Seattle”, tenho que lembrar que passamos por um dos melhores verões que essa cidade já teve nos últimos 200 anos ou mais, o que quer dizer que a fábrica de gelo veio a calhar. Nesse julgamento estamos do lado do governo, que precisa comprar o terreno onde está a fábrica para passar o trilho do trem. O pequeno problema é saber o quanto o governo deve pagar pela tal fábrica de gelo, já que, convenhamos, o mercado de fábrica de gelo em Seattle não é dos mais fortes.
Além dos geeks tradicionais, que acham a coisa mais linda do mundo aqueles equipamentos de fazer gelo, temos outras figuras lendárias. Comecemos pelo dono da fábrica, um sujeito que herdou a tal fábrica do pai e que, segundo ele, costumava passar as férias com a família fazendo tours pelas fábricas de gelo dos Estados Unidos, além de outros países. Ele tem um museu de artefatos da cidade de Tacoma no apartamento dele, que por sinal fica em cima da fábrica. Ele é casado com uma ucraniânia, que ninguém nunca viu, e mora no tal apartamento com a esposa, a mãe dela que, segundo ele, não fala uma palavra em inglês, e três gatos. Há também o advogado do dono da fábrica, um senhor de quase 80 anos de idade. Por conta da idade avançada, ele não ouve direito e tem uma tendência a repetir as mesmas perguntas várias vezes, o que tem feito que o julgamento leve muito mais tempo do que deveria.
Ah, e tem a fábrica de gelo. Em julgamentos relacionados à desapropriação de uma propriedade, como é o nosso caso, leva-se os jurados para conhecer a propriedade para que eles tenham um pouco de contexto. Arrumamos um ônibus e lá se foram jurados, juíz e assistentes do juíz para fazer o tour da propriedade. Como no caso anterior o juíz preferiu que os advogados não participassem do tour, eu assumi que dessa vez também não iríamos. Para minha surpresa, no dia do tour fui informada que iríamos, sim, acompanhar o juíz e os jurados. O único problema da minha ignorância é que não fui apropriadamente vestida para uma fábrica de gelo. Daí que enquanto a maior parte das pessoas estava vestida com casaco de esqui, luvas e gorros, eu estava com meu terninho bastante apropriado para uma corte aquecida. O tour estava indo muito bem, até entramos no lugar onde eles fabricam gelo, um galpão enorme refrigerado a menos de zero graus Celsius. O galpão estava frio de doer. No final do tour minha mão estava roxa e meus ossos tremiam de tanto frio. Mas sobrevivi. E já aprendi um bocado sobre fábricas de gelo – se alguém por aí achar que é uma boa idéia abrir uma segunda fábrica de gelo na região, é só falar comigo ;-)
Eu admito, está na hora de crescer, parar com essa vida de viagem para a Europa todo ano, restaurantes bons toda semana, e vida comfortável em Seattle fazendo o que bem quero e entendo na hora que bem quero e entendo. Em suma, olha de olhar para o futuro e, quem sabe, ter um filho? Mas calma aí, eu sempre fui uma pessoa de planejar tudo na vida. E dessa vez não seria diferente.
Antes de mais nada, e antes de ter filho, eu preciso de uma religião. Meus amigos vão cair para trás com esse comentário, mas acho religião essencial na vida de uma pessoa. Acho fascinante e reconfortante o seguimento cego a dogmas, sem questionamentos. Eu cresci sem religião. Nunca fui batizada e só entrava em igreja para primeira comunhão de primos e amigos, casamentos, e ocasionalmente uma missa de sétimo dia aqui e ali (felizmente, poucas até hoje). Já tive crises na adolescência (ah, a adolescência) com medo de morrer, com medo do “unknown”, e sem ter nenhum comforto de que iria para o céu, para o inferno, voltar em forma de gato ou passar o resto da minha vida assombrando a casa em que moro. Hoje simplesmente não penso muito no assunto de morte, até porque todos próximos de mim estão muito bem de saúde, obrigado (uns melhores que outros), mas consigo me ver entrando em parafuso daqui a vários anos, quando as pessoas em torno de mim começarem a morrer. Eduardo é um pouco melhor que eu - não foi batizado mas cresceu num ambiente de crenças espíritas. Também nunca foi muito convicto da coisa, e acredito que minha influência “você jura que acredita nessa coisa de espírito?” não ajudou muito. Uma pena. Olhando para trás, acho que talvez eu devesse ter aproveitado a oportunidade, dado incentivo ao lado espírita dele, e pegado carona na crença espírita. A verdade é que, a essa altura do campeonato, depois de anos e anos de descrença e leituras descrentes, Eduardo e eu somo incapazes de acreditar em algo que não seja comprovado cientificamente.
Mas tudo isso são águas passadas. Agora temos que escolher uma religião, ou algo parecido. Tenho certa admiração pela doutrina espírita e pelos valores que passa, mas não é nada muito prático nos Estados Unidos. Há muito poucos centros espíritas e o povo por aqui não entende muito de doutrina espírita além do que passa em filmes de fantasma. Minha tendência e preferência vai para a religião cristã, que é o que a maioria segue nesse país. Mas e aí, que igreja seguir? Catolicismo ou protestantismo? Tenho um pezinho atrás com relação ao catolicismo, um pouco retrógrado. Daí que meu voto vai para o protestantismo. Seria uma escolha fácil e lógica, já que a maioria dos americanos frequenta a igreja protestante. Eduardo resolveu se abster da votação, daí que foi vitória de um voto só.
“Nossa, no dia que você parar de beber e começar a ir para a igreja todo domingo, o povo vai achar que você despirocou”, ponderou Eduardo. Por isso, meus amigos, fiquem avisados. Vou ser mão exemplar. Vou desistir do meu emprego e ficar em casa tomando conta de menino. Vou comprar uma mini-van (que vai ficar estacionada na porta de casa porque não passa na driveway) e levar os meninos para o baseball, aula de balé e, como não poderia deixar de ser, aula de piano. Me aguardem…
Geek é dessas coisas que é difícil de definir mas você reconhece um assim que bate os olhos. Eu sempre achei que eu tivesse uma quedinha por homem de farda, mas esse último julgamento do qual participei veio me provar que, de fato, eu sou mesmo apaixonada pelos geeks.
Uma das nossas testemunhas era um engenheiro de tráfego. Tentávamos provar que a driveway do nosso cliente (essas driveways são o pesadelo da minha vida) ficaria terrivelmente afetada depois da desapropriação que a cidade de Bothell queria fazer de parte da driveway para alargar a rodovia, e que o prejuízo do nosso cliente justificaria o valor monetário que estávamos pedindo, mais de $1 milhão de dólares (a cidade de Bothell só queria pagar $300 mil). O nosso engenehrio de tráfego estava lá para dizer que o mundo acabaria depois que a driveway fosse modificada, e os engenheiros da cidade estavam lá para dizer que nosso cliente estava delirando e que a driveway depois da aquisição ficaria muito melhor do que a que ele tinha antes.
O nosso engenheiro de tráfego era um geek. Conversava de muita pouco coisa além de rodovias, driveways, curvas … íamos todo almoçar juntos e as poucas vezes que fui conversando com ele o papo era assim mesmo:
Ele: “Olha só essa rampa para cadeira de rodas, totalmente descentralizada em relação a rampa do outro lado da rua. Um absurdo.”
Eu (concentrada no meu pé que estava doendo com o sapato de salto): “Ah…”
Ele: “E aquela driveway vai ficar terrivelmente afetada depois que eles alargarem a pista, você vai ver!”
Eu (pensando mais ainda no meu pé que continuava doendo): “Ah…”
Os engenheiros da cidade testemunharam, nosso engenheiro testemunhou, depois a cidade teve a oportunidade de fazer o reply com os engenheiros deles (no qual um dos engenheiros fez vários cálculos ao vivo para os jurados, que tentavam a todo custo ficar de olhos abertos), e no final tínhamos o direito de fazer o reply do reply. Veja bem, o reply do reply era a última parte do julgamento, que por sinal estava levando mais tempo do que o antecipado; os jurados já estavam ficando inquietos e mandavam perguntar ao juíz de vez em tempo quando o julgamento terminaria. Colocamos nosso engenheiro no banco das testemunhas na quinta de manhã, prometendo ao juíz que na quinta à tarde nós terminaríamos nossa parte; o tempo estava passando e tínhamos pouco tempo. Nosso engenheiro queria porque queria porque queria refazer os cálculos do outro engenheiro, “completamente errados” na opinião dele. Nisso ele vai ao quadro e com aquela confiança matemática típica dos geeks começa a refazer os cálculos do outro engenheiro. Um minuto, dois minutos, três minutos … nós, advogados pouco geeks, começamos a nos preocupar com o tempo mas totalmente esperançosos que o engenheiro fosse ganhar nosso caso ao mostrar o absurdo dos cálculos do engenheiro da outra parte. Depois de tudo calculado, nosso advogado pergunta:
Advogado: “E aí, qual a diferença do seu cálculo para o do engenheiro da cidade?”
Ele: “A diferença é de meio inch!” (approximadamente 1 centímetro)
Meio inch naquele contexto não era nada. Enquanto nós abaixávamos a cabeça esperando levar bronca do juíz por ter gastado tanto tempo para provar nada, ele estava lá totalmente orgulhoso por ter provado a quem quisesse ter prestado atenção que o engenheiro da cidade estava totalmente errado. E foi naquele exato momento que eu me apaixonei pelo engenheiro de tráfego – um homem nos 40’s, levemente mais alto que eu, meio careca e, claro, óculos. E é por isso que eu gosto tanto de geeks, eles são inteligentes e ainda por cima muito sexy. Ai, ai …
Mas você não acabou de tirar férias? Bem lembrado, eu já tinha me esquecido. Mas acho que já estou precisando de outras férias.
A história das minhas maravilhosas férias para Irlanda e Polônia começou num belo dia em julho, quando eu olhava meu calendário para escolher a semana mais apropriada para tirar férias, e não tinha nenhuma! As coisas andavam ocupadíssimas no trabalho e o calendário indicava três julgamentos por vir: 31 de julho, 14 de setembro e 24 de setembro. Conversa para lá e conversa para cá, meu chefe me indicou a semana perfeita para férias: 17 de agosto, quando já teria terminado o julgamento de 31 de julho e antes de começar o de 14 de setembro. Corri e comprei logo as passagens, afinal de contas, estou trabalhando tempo o bastante na área jurídica para saber que as coisas mudam. E como mudaram. A outra parte pediu para adiar o julgamento de 31 de julho para 31 agosto, nós batemos o pé que aquela data não podia e que mudasse para novembro, a outra parte concordou, mas daí o juíz não deu a mínima bola e decidiu por 31 de agosto. E agora, José? Agora já era, arrumei minha mala e fui de viagem, com uma leve dor na consciência que desapareceu com a primeira dose de Guinness.
Mas minha viagem fora de hora não seria sem consequências. Cheguei numa quarta, 26 de agosto, e o julgamento estava para começar na segunda. A nossa secretária teve que viajar correndo para outro estado para ver a mãe, que tinha tido um ataque cardíaco, e a firma contratou uma “temp” que conseguiu ser uma das pessoas mais incompetentes que conheci na vida. O resultado é que estava o maior pandemônio no escritório. Trabalhei aquele final de semana inteiro, boa parte do final de semana seguinte, e também o final de semana passado. Hoje, finalmente, foi o último dia desse julgamento. Não que tenha acabado, porque ainda estamos esperando o veredito dos jurados. Ah, e quinta-feira que vem começa outro julgamento. O do meio, de 14 de setembro, foi adiado, e estamos lá fazendo a dança do adiamento para ver se o julgamento de quinta é adiado para um futuro distante, afinal de contas, não faça hoje o que você pode deixar para daqui a seis meses. Dedinhos cruzados, só espero não fazer a dança errada e trazer chuva ao invés de adiamento
Finalmente, as fotos da viagem já estão no Flickr. A verdade é que, apesar de termos voltado há pouco mais de uma semana, parece que já tem uns três meses que viajamos, de tão distante que as coisas parecem agora que voltamos à rotina de casa – trabalho – casa. A viagem foi muito bem, obrigado, mas agora estamos de volta à vidinha de sempre que, diga-se de passagem, até que é uma vidinha legal. Vamos às fotos.
Belfast é uma cidade pequena, tanto que passamos um dia e meio por lá e acho que foi de bom tamanho. O mais interessante de Belfast são os famosos murais, e conhecer um pouco da história do lugar. Belfast faz parte da Inglaterra enquanto Dublin faz parte da República da Irlanda. Até hoje muito “Belfastiano” sonha em se tornar independente da Inglaterra, e apesar dos atentados a bomba e tudo mais ter se acalmado pelas bandas de lá, eu suspeito que ainda vou ouvir falar de Belfast.

Os Murais de Belfast
Irlandês, assim como inglês, adora beber … daí que você tem que deixar explícito que “É PROIBIDO BEBER NESSA RUA!”

Proibido Beber

Belfast CastleForam dias intensos de Guinness ...Pausa para a Guinness
Eu adorava os pubs irlandeses, tão bonitinhos!

Típico Pub Irlandês
Cracóvia … tempo bom, cidade bonita, comida boa e barata, preciso dizer mais???

Cracóvia

Wieliczka Salt Mine

Capela - Mina de Sal

Arbeit Macht Frei - Auschwitz

Auschwitz

Auschwitz 2 - Birkenau

Auschwitz 2 - Birkenau
Varsóvia foi a última cidade que visitamos. Como eu já disse, Varsóvia foi completamente destruída durante a Segunda Guerra. Eles reconstruíram o centro histórico, que ficou muito bonitinho, mas o resto da cidade não teve tanta sorte … Logo após a Segunda Guerra, a Polônia foi tomada pelos comunistas, daí que a cidade tem uns prédios bem no estilo comunista – quadrados, cinzas, mais parecendo uma máquina de lavar roupa, totalmente sem graça. Uma pena…

Castelo de Varsóvia - Logo Após a Guerra

Castelo de Varsóvia Depois de Reconstruído

- Palácio da Cultura e Ciência, “Presente” de Stálin
E só para provar que viajamos mesmo, está aí uma foto nossa … Final Feliz!

Nós
Não vou publicar aqui minha altura, mas é fato sabido que não sou das pessoas mais altas. Não é uma qualidade que se atribua a mim de jeito nenhum, a não ser, claro, na China ou no Nordeste subnutrido. Esses dias, porém, circulou um boato que eu era uma pessoa alta, e até hoje estou coçando a cabeça para saber de onde isso saiu.
Desde segunda eu estou participando de um julgamento de um dos casos do meu trabalho. Tinha uma caixa com materiais que eu tinha deixado no escritório e que os advogados bateram o pé que precisávamos daquela caixa naquele dia (só para responder ao pensamento de vocês, acabamos não precisando da caixa naquele dia). Liguei para a secretária e pedi para ela mandar a caixa por um mensageiro. Pedi para ela instruir o mensageiro para abrir a porta da corte a uma certa hora determinada, que eu sairia para pegar a caixa. Na hora marcada, ele chega e eu saio da corte para pegar a caixa.
Ele: “Nossa, me disseram que você era alta, mas você não é tão alta assim.”
Eu: “Eu, alta? Quem foi que inventou que eu era alta?”
Ele: “Não sei, essa é a história que corre por aí.”
Eu (pensando): “Eu hein.”
Há muitos anos atrás, no meu trabalho antigo, me lembro de ter ido ao nosso departamento de cópias para um projeto. Quando cheguei lá, alguém brincou que eu era Miss Brasil. O outro carinha que estava lá ficou impressionado:
Ele: “Nossa Nara, você foi Miss Brasil?”
Eu: “Ahn, você me acha com cara de Miss Brasil?”
Ele: “Você é bonita, por quê não poderia ser Miss Brasil?”
Eu: “Você já viu Miss da minha altura?”
Ele: “É mesmo, nunca vi Miss baixa não…”
O resultado é que, apesar da boa vontade do povo, continuo não sendo alta e por conta disso nem para Miss Brasil eu sirvo …
Voltamos, após 12 dias de viagem. Foi tudo muito bem, ninguém ficou doente e quase não pegamos chuva (o que é bem surpreendente em se tratando de Irlanda). Dublin estava maravilhosa, até chegarmos em Cracóvia … daí as coisas ficaram muito melhores … o clima estava perfeito (nos 70’s), a comida era maravilhosa (com uns poréns) e com a conversão da moeda a nosso favor (1 Polish zloty = 3 US dollars), tudo era bem barato, até na área de turista que costuma ser extorsiva.
Cracóvia me lembra muito de Praga (apesar do que Praga é muito mais bonita). Passamos 3 dias e meio em Cracóvia e acho que foi um tempo bom. Eles tem um castelo (como não poderia deixar de ser), várias catedrais, uma praça enorme cheia de restaurantes e cafés e igrejas e casas lindas, e ruas que viram labirintos. De Cracóvia dá para fazer vários passeios: fomos para Wieliczka, uma mina de sal que fica perto de Cracóvia e aparentemente é uma das grandes atrações do lugar de lotado que estava, e para Auschwitz. A comida é bem parecida com comida alemã/checa/húngara/austríaca: salsicha, porco, batata e repolho. O que está muito bem para mim, semprei gostei muito mais de batata do que de arroz
E cerveja. Já falei que cerveja é mais barato que água e coca-cola? Uma cerveja de 500 ml custava em média 8 zloty, enquanto uma coca-cola de 200 ml (de garrafinha) custava 5 zloty e um litro de água chegava a custar 12 zloty num restaurante. Eduardo quase nos leva à falência bebendo água e refrigerante na Polônia! Está com sede, pede cerveja sem álcool, oras! Muito mais barato!
De Cracóvia fomos para Varsóvia, onde passamos um dia e meio. Acho até que poderia ter passado um pouco mais de tempo lá. Se Varsóvia fosse uma pessoa, seria uma dessas pessoas que você chamaria de azarada de tanta coisa ruim que acontece. A Polônia tem uma história bem trágica e Varsóvia ainda mais (me animei toda por lá e comprei um livro sobre história da Polônia, em inglês, que está ali na fila para ser lido). No período das grandes potências (Inglaterra, França, Rússia, Áustria), a Polônia tinha eleição para rei e, para variar, a tendência política do rei dependia de quem estava por cima. Eles já se juntaram à Lituânia para formar um Commonwealth; já tiveram seu território dividido entre Rússia, Áustria e Prússia, não uma, mas várias vezes; e para tentarem conseguir liberdade já tiveram vários “uprisings”, dos quais se deram muito mal. A Polônia, seguindo a regra dos países do leste europeu, só se tornou país independente em 1918. Quando as coisas começaram a ficar bem para eles, foram invadidos pelos alemães em 1939, que daí ficaram até o final da Segunda Guerra. Lá para o final da Segunda Guerra, quando os alemães já estavam enfraquecidos, o povo de Varsóvia decidiu conquistar a independência deles na marra com mais um ”uprising”. Foram derrotados e Hitler, chateado e aquela altura já perdendo a guerra, mandou destruir a cidade. No final das contas, 85% da cidade foi destruída (incluindo a parte antiga da cidade) e várias pessoas morreram (a essa altura, os judeus, como era de se esperar, já tinham morrido há muito tempo). Mas pelo menos eles se libertaram no final da guerra, vocês estão pensando. Não foi bem assim. Quando acabou a guerra, os comunistas tomaram conta da Polônia e daí ficaram até a década de 80.
Daí que, apesar de não ter achado Varsóvia uma cidade tão encantadora quanto Cracóvia, tiro meu chapéu para a cidade. Depois da guerra eles decidiram reconstruir a parte antiga da cidade se baseando em arquivos, plantas de construções, fotos … daí que a parte antiga de Varsóvia está tinindo de nova, se é que isso é possível. Uma pena que eles tiveram que passar por tanto sofrimento, mas quem sabe agora a coisa não vai? Eu fico torcendo por eles.





